Como a africanidade pode protagonizar o processo educativo?

Mapa Projetual

Neste artigo vamos compartilhar as inspirações do Mapa Projetual das turmas da Primeiríssima Infância ao Fundamental I da Casa de Aprendizagens. O Tema Provocador de Experiências Investigativas continua sendo: “Brasil: Uma História Preta e Indígena”. Porém, neste segundo semestre, ele está sendo trabalhado a partir do livro Kuami, de Cidinha da Silva.

Brasil Uma Historia Preta e Indigena - Casa de Aprendizagens

A autora: Cidinha da Silva

A escritora Cidinha da Silva nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1967. Ela tem publicados dezessete livros, que contemplam vários gêneros, como a crônica, o conto, o ensaio e a dramaturgia. E foram traduzidos para diferentes línguas, entre elas alemão, espanhol, francês, inglês e italiano. Seu livro de contos, Um Exu em Nova York, recebeu o Prêmio da Biblioteca Nacional em 2019. Assim como Explosão Feminista, livro de ensaios do qual é coautora, foi finalista do Prêmio Jabuti também em 2019 e recebeu o Prêmio Rio Literatura 4ª edição no mesmo ano.

Além de autora, Cidinha da Silva é professora e doutoranda no Programa Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento na Universidade Federal da Bahia. Uma das mais importantes ativistas do movimento negro, ela liderou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, organização civil fundada em 1988, e fundou o Instituto Kuanza, que promove ações de educação e articulação comunitária para a população negra.

A autora do livro Kuami Cidinha Da Silva

O livro: Kuami

Publicado pela Pólen Livros, Kuami é ilustrado por Annie Ganzala, uma referência no grafite e na luta contra o racismo religioso. O livro conta a história da parceria entre a sereia Janaína e o elefante Kuami em uma jornada permeada por muita imaginação, música, comicidade e aprendizado. Circunstanciada no coração da Amazônia, a narrativa nos apresenta a comunidade do Sereal, localizada próximo a uma pororoca, onde as águas doces se encontram com o mar. É lá onde mora Janaína, mas sua curiosidade ultrapassa os limites do seu território e a leva a desbravar a região.

É quando então Janaína encontra Kuami, um pequeno elefante, e tem início uma grande amizade. Kuami e sua mãe foram sequestrados de seu habitat natural, de sua terra chamada Lunda. E foram aprisionados em uma fazenda, onde há também alguns homens escravizados a realizar trabalhos forçados. Mas, em uma tentativa de fuga, Kuami consegue fugir e se separa de sua mãe. O seu resgate é, assim, a aventura que Kuami e Janaína vivem juntos e que os aproxima.

Capa do Livro Kuami de Cidinha da Silva

Mapa Projetual: Resistência, União e Liberdade

Essas são as palavras centrais de nosso Mapa Projetual, a partir das quais os nossos eixos de pesquisa se desenvolvem. Mas por que resistência? Para além do que é figurado na narrativa, há outras referências ao tema, inclusive históricas. Ainda que contextualizada em um cenário fantástico, Kuami traz elementos reais das lutas populares dos povos amazônicos. Entre esses elementos, fica evidente a opressão dos trabalhadores e o desmatamento.

Uma situação que marca uma ação afirmativa de representatividade é quando os macacos fazem dreads nos lindos cabelos crespos de Janaína. Como esse momento, o livro está recheado de africanidade, apontando para esse aspecto determinante para a formação da cultura brasileira. Já a União não está apenas representada nos fortes laços criados entre Janaína e Kuami, como também envolve muitos outros personagens. Na saga do resgate, eles contam com a ajuda de peixes e criaturas da floresta, mostrando como o trabalho comunitário pode mudar a vida das pessoas.

No entanto, o livro também aborda situações de escravidão, de trabalho forçado e de sequestro. Estas nos levam a pensar e refletir sobre a necessidade do seu oposto, ou seja, a Liberdade. Nesse sentido, Lunda, a terra natal de Kuami e sobre a qual ele fala como uma memória longínqua, pois foi tirado de lá muito pequeno com sua mãe, faz lembrar fatos repugnantes de nossa história. Ao mesmo tempo em que nos remete à força da ancestralidade e à luta pela libertação não somente de si, mas de um coletivo ou de um povo.

Eixos: Relações e Guardiões

Para além dessas palavras centrais, em nosso Mapa Projetual, temos também dois eixos a serem desdobrados: Relações e Guardiões. O eixo Relações é dividido em três instâncias: Família, Trabalho e Natureza. Estas são investigadas a partir da história dos alunos e alunas e de suas famílias, das formas históricas de trabalho e de como elas se transformaram na contemporaneidade, bem como da importância da natureza para a preservação da vida e no mundo.

O eixo Guardiões se desmembra em Reino das Matas e Reino das Águas. Tais desdobramentos nos permitem pesquisar a biodiversidade de cada ecossistema e suas especificidades, como o baiacu e o tucunaré, tipicamente brasileiros e personagens de Kuami. O que ainda suscita a investigação de nossa cultura popular, tendo em vista a presença de Didó, indígena guardião da mata, e da Mãe d’Água.

Cabe dizer que a música é muito presente na história e apresenta ritmos populares brasileiros. Desse modo, Cidinha da Silva provoca nossa reflexão sobre um Brasil que todos precisam conhecer. Tendo isso em vista, cada turma já definiu seu caminho de pesquisa, e todos e todas se encontrarão no final do ano para a criação da nossa peça teatral. Só que neste ano, ela terá o formato de média metragem, a partir do texto Kuami.

Quer saber como cada área do conhecimento constrói suas pontes com as perguntas investigativas de cada eixo e com o tema do semestre?

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