Experiências investigativas do Fundamental II

Como os processos de ‘desidentificação’ podem gerar novas apropriações?

Neste artigo convidamos você a entrar na CASA e conhecer um pouco do nosso trabalho em torno do Tema Provocador de Experiências Investigativas contAÇÕES escreVidas. Esse enunciado, que tem orientado as pesquisas de educadores, educadoras e estudantes do Ensino Fundamental II da escola, se divide em três eixos, cada um dos quais motivado por um determinado autor ou autora. Trataremos abaixo do EIXO DESIDENTIFICAÇÕES, inspirado em Carolina Maria de Jesus e, principalmente, em sua obra Quarto de Despejo.

Apresentamos abaixo algumas das atividades que marcaram a primeira edição da oficina planejada e conduzida pelos educadores e educadoras responsáveis pelo EIXO DESIDENTIFICAÇÕES, que tem como pergunta investigativa: “Como os processos de ‘desidentificação’ podem gerar novas apropriações?” E contempla as áreas do conhecimento: Matemática, Ciências e Música.

" Domingo. Um dia maravilhoso. O céu azul sem nuvem. O Sol está tépido. Deixei o leito as 6,30. Fui buscar água. Fiz café. Tendo só um pedaço de pão e 3 cruzeiros. Dei um pedaço a cada um, puis feijão no fogo que ganhei ontem do Centro Espírita da Rua Vergueiro 103. Fui lavar minhas roupas. Quando retornei do rio o feijão estava cosido. Os filhos pediram pão. Dei os 3 cruzeiros ao João José para ir comprar pão. Hoje é a Nair Mathias quem começou implicar com os meus filhos. A Silvia e o esposo já iniciaram o espetáculo ao ar livre. Ele está lhe espancando. E eu estou revoltada com o que as crianças presenciam. Ouvem palavras de baixo calão. Oh! se eu pudesse mudar daqui para um núcleo mais decente."

Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo

Oficina do EIXO DESIDENTIFICAÇÕES

A oficina DESIDENTIFICAÇÕES teve por objetivo despertar a pergunta investigativa deste eixo. E, assim, suas dinâmicas propuseram uma vivência de interação, imaginação, percepção de si e do coletivo, por meio do olhar de Carolina Maria de Jesus e sua obra. No percurso dessa vivência, nosso grupo de estudantes provocados a, primeiramente contemplar a si e ao coletivo por meio de espelhos.

Posteriormente, os educandos e educandas foram estimulados a criar composições com objetos diversos e referências de Quarto de Despejo, tendo em vista o como imaginam os espaços em favelas. Essas dinâmicas de reconhecimento de si e de seus lugares de pertencimento, assim como o deslocamento para outras vivências imaginativas preparam o terreno para o processo de aproximação e de apropriação de novas circunstâncias, raramente antes experienciadas por nossos educandos e educandas.


Eu nas circunstâncias da autora

Quarto de Despejo é uma edição dos diários de Carolina Maria de Jesus, migrante de Sacramento, Minas Gerais, mãe solteira e moradora da primeira grande favela de São Paulo, a Canindé. Desocupada em meados dos anos 1960 para a construção da Marginal do Tietê, o contato com a cotidianidade de Canindé revela, para os nossos estudantes, mundos ignorados, que coexistem em uma sociedade extremamente desigual. E, se o tempo passou e a cidade cresceu, a realidade de quem vive na miséria não mudou muito, o que faz do relato de Carolina Maria de Jesus uma obra atemporal, sempre emocionante.

A fim, portanto, de que educandos e educandas vivenciassem as circunstâncias da autora, eles e elas foram incentivados a escreverem relatos pessoais motivados por datas significativas, como o dia de seu nascimento. Pois, a despeito das diferentes sociais, não ignoradas e examinadas, voltamo-nos para a linguagem de Carolina Maria de Jesus e seu estilo único de escrita, que deixa ver as elaborações artísticas de sua experiência cotidiana.  


Os diários personalizados

A partir disso, os estudantes construíram seus próprios diários, que foram ainda personalizados de acordo com o gosto e a necessidade de cada um. Esse foi um exercício importante para a prática da escrita significativa. Ou seja, de uma escrita pautada pelas reverberações sensíveis dos temas desenvolvidos pelo EIXO DESIDENTIFICAÇÕES.

Cabe ainda mencionar que essa primeira edição da oficina foi concebida pelas educadoras Estela Barbieri, de Matemática; Simone Shuba, de Teatro; pelos educadores André Haidamus, de Metodologia de Pesquisa; Daniel Cancello, de Música; e Lucas Nemo, de Ciências.

De agora em diante, as reverberações geradas por essa oficina permearão cada etapa das pesquisas do semestre. E nós, educadores e educadoras do Fundamental II da CASA de Aprendizagens, continuaremos trilhando a encantadora arte de construir aprendizagens por meio de estímulos que gerem reflexões, autoconhecimento, consciência coletiva e ações!


Essa vivência, a qual partilhamos com você, é apenas uma das experiências realizadas em torno do Tema Provocador de Experiências Investigativas contAÇÕES escreVidas.

Mas logo mais, contaremos aqui sobre as oficinas dos EIXOS INVENTUREZAS e EXISTÊNCIA. Então, não perca nossas próximas publicações! 

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